A ditadura da burrice 12: OS MÚSICOS DE BREMEM / CORO DOS PATRÕES


OS MÚSICOS DE BREMEM

É sempre assim:
A gente trabalha feito um burro,
É puxando carroça, é dando murro.
Mas dinheiro que é bão, não vê não,
Vai tudo pra mão do patrão.

É sempre assim:
A gente trabalha feito um cachorro,
É roendo osso, é morando no morro.
Mas dinheiro que é bão, não vê não,
Vai tudo pra mão do patrão.

É sempre assim:
A gente trabalha feito um gato,
E fazem da gente gato e sapato.
Mas dinheiro que é bão, não vê não,
Vai tudo pra mão do patrão.

É sempre assim:
A gente quer dar uma de galo,
Anunciar o final do intervalo.
Mas o bico não pode abrir não,
Se não vai parar na prisão.


CORO DOS PATRÕES

Não tem jeito.
Eles não trabalham direito.
Temos que manter o respeito,
Ou perdemos o conceito; 
Não tem jeito.

Com efeito.
Tudo que eu fizer é direito,
Falo isso sem preconceito.
E é melhor não botar defeito.
Com efeito.

Meu preceito,
É prevalecer o direito,
Desde que eu não perca o proveito.
E eu tenho um plano bem feito.
Meu preceito:

Só respeito,
Não tem mais jornal, não tem pleito,
Sem oposição, é perfeito.
Força e medo num só leito.
Só respeito.

Curitiba, outubro de 1976.