Canções Diversas 02: PÁSSAROS DE ONTEM


peguei, um a um, meus sonhos dourados,
um a um, sonhos alados,
ai, cortei-lhes suas asas;
pra que não viessem voar alvoroçados,
em bandos alvoroçados,
a fazer sombra nas casas
do anseio meu.

podei-lhes, depois, as unhas agudas,
podei as unhas agudas,
ai, que são de arranhar
lembranças doídas, fantasias mudas,
doidas fantasias mudas,
de nunca se acabar
o anelo meu.

seus magos bicos eu quebrei também,
bicos eu quebrei também,
ai, calando os seus cantos.
cantos da luz do amor que sempre vem,
do amor que sempre é um bem,
e de outros desejos tantos,
tormento meu.

a todos esqueci na prisão forte,
esqueci na prisão forte,
ai, da fria agonia;
inertes estão à espera da morte,
sempre à espera da morte,
que é quem agora vigia
no peito meu.

Curitiba, 17.05.1982

Atualizado em ( 01 - 02 - 2014 11:24 )