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Este saite está em constante construção; contém: Projeto Gil Vicente, 44 peças, com resumos, comentários e canções que fiz para as peças (Português, Esperanto); Dante Alighieri - Vita Nova, canções que fiz para os 31 poemas do livro Vita Nova (italiano); Traduções e Adaptações (inclui O Corvo, de Poe), Conta outra Vó (histórias infantis, Português, Esperanto); Peças para fantoches; Trilogia Cética; Canções Infantis Brasileiras em Esperanto. A Espécie Humana (romance), O Dia sem Nome (romance), Apolo e Jacinto (romance). A intenção é alimentá-lo semanalmente./ Ĉi paĝo konstante ricevas ion; Ĝis nun: Projekto Gil Vicente (Portugale, Esperante) kun resumoj, komentarioj kaj kanzonoj, kiujn mi verkis por la teatraĵoj; Dante Alighieri, Vita Nova, kanzonoj por la 31 poemoj de la libro Vita Nova (itale); Tradukaĵoj kaj adaptaĵoj (Portugale); Teatraĵoj por pupteatro (Portugale); Rakontu alian anjo (infanaj rakontoj, Portugale/Esperanto); Skeptika Trilogio (Portugale/Esperanto); Brazilaj Infanaj Kanzonoj. La Homa Specio (romano, Portugale, Esperante), La Tago sen Nomo (romano, Portugale, Esperante), Apolono kaj Hiakinto (romano, Portugale, Esperante) Mi intencas aldoni ion ĉiusemajne.

Alma desdobrada, cap. 217, 218, 219 e 220.

Alma desdobrada, capítulos 217, 218, 219 e 220.

 

217.

          pergunta:

          algum de meus encontros clandestinos valeu a pena?

          resposta dois: sim! todos!

          o que busca o homem na sua rápida passagem? a felicidade! e onde se acha ela? apenas num amor duradouro e pleno e completo e incorrupto? por que não, também num furtivo encontro de dois medos e dois anseios cheios de uma violência passageira? chegamo-nos, aproximano-nos um do outro e o animal que habita o fundo de minha alma busca o outro animal. e como dois répteis inofensivos, mas vivíssimos, cruzam-se em toques mínimos que fazem explodir as estrelas.

          a energia do mundo não cabe na espera de um amor completo e fatalmente grande. amo desesperadamente a Z... e não tenho como me fazer amado. circunstâncias! é preciso fazer navegar a nave dos meus anseios e permitir que minha volúpia estremeça de loucura ao furtivo contato de outro mundo em órbita solta, como o meu. ambos, em busca de águas passageiras apenas a diminuir suas pequenas sedes.

          e ainda não quero falar das coisas que aprendo.

          um homem pode habitar quantos homens?

 

Leia os capítulos 218, 219 e 220.

 

Alma desdobrada, cap. 213, 214. 215 e 216.

Alma desdobrada, capítulos 213, 214. 215 e 216.

 

213.

          saio do apartamento, indo para a chácara. sofro. isto foi ontem à noite. estou frustrado porque pretendia amar Z... até o seu orgasmo, mas ele não quis habitar o país do orgasmo, conduzido por mim. eu, que teimava em dirigir seus passos.

          resolvo rodar o carro, encontro um adolescente belo, macio, morto como um viciado. ele entra no carro. sua fala é cortada por palavras que nunca dirão a metade do que pretendem. ele aceita meu convite, que convite é esse? não uso a palavra trepar, não falo em foda, apenas perguntei se ele queria ir num lugar comigo. como eu já segurava seu sexo em ereção, ele entendeu a mensagem. pretendeu fazer um pacto que não ficou claro, tive que traduzi-lo, entendo, você não quer dar, só quer comer, é isto?, tudo bem, digo; cada qual sabe do que gosta.

          abraçados, nus, ele se entrega ao meu entregar-me. aqueço-o, descubro seus pedaços maiores de excitação, é uma agradável troca de prazer. seu orgasmo vem antes, ele participa do meu.

          no meio da noite escura, criatura, você sem nome, e nos entendemos na hora do prazer! a quem estariam destinados todos os nossos carinhos? a quem amaria você? você amaria a alguém?, adolescente semimorto!

          você me pergunta por bola, não sei o que é isto, não se faça de inocente!, você fala em maconha?, claro!, não tenho, não transo nada disto, se incomoda se eu puxo uma?, claro que não, você sabe o que faz.

          sou viciado!, cara! enquanto prepara o cigarro. me conta que tem pé de maconha no local de trabalho, uma padaria onde também mora. os donos sabem, mas fingem não saber.

          eu o levo pelas ruas, enquanto ele traga sua fumaça fétida. o carro recende forte, eu abro todos os vidros. insiste em me ver de novo, marco sexta-feira, mesma hora, mesmo lugar, sabendo já que não irei ao encontro. ele tosse, tosse muito, se cala.

          adolescente macio, foi bom ter você dentro de mim porque, enquanto você buscava o seu prazer, você não se amarrou a nenhuma ponte de moral ou culpa. seu corpo era um só vôo que tentava a sincronia com o meu vôo. voamos alto, fomos às esferas superiores, e voltamos à terra da polícia e das pessoas sem nenhuma liberdade.

          todavia, sua liberdade é pequena para mim, a casa de seu espanto é apertada para meus gestos pretensiosos, sua loucura é a de um anjo abatido diante de minha fúria de todos os deuses pagãos.

          não, não tenho a quem me dar de verdade.

          usei sua carne cor de rosa para amaciar minha dor. consegui transferi-la para depois. no transferir-se, ela amainou um tanto.

          é preciso saber resistir à dor absoluta.

 

214.

          o choro pode vir a ser uma forma de orgasmo. libertário, irrefreável, anárquico, absoluto. erupção necessária para que, em seguida, o vulcão tenha seu provisório adormecer. 

 

Atualizado em ( 15 - 09 - 2015 11:42 )

Leia os capítulos 215 e 216.

 

Alma desdobrada, cap. 205, 206, 207, 208, 209, 210, 211 e 212.

Alma desdobrada, capítulos 205, 206, 207, 208, 209, 210, 211 e 212.

 

205.

          vinho, vinho, na minha frente você tem a força de uma pessoa. ficarei a olhar você um tempo, namorando-te com os olhos. depois não resistirei e pegarei o teu corpo-copo. primeiro, delicadamente, para sentir que você existe e é real. depois, já ansioso por te provar.

          então, não haverá defesas para o que há de vir. para que eu te sorva, é preciso que eu te olhe, te sinta, te pegue, te leve à minha boca. precisarei excitar a tua loucura, para que ela faça despertar em mim a minha loucura e a minha embriaguez.

          depois do primeiro gole, haverá a ânsia do gole seguinte e sei que você estará ainda à disposição de minha volúpia lírica.

          eu te provo e enlouqueço. não seis mais de mim. não sei o que faço, não sei o que quero.

          não sei de respostas nem de perguntas.

          sou. faço o que você me manda. quero o que você me quer.

          dormirei de seguida. teu cheiro estará em mim um tempo, espalhado no meu sangue pelo teu sangue de frutas machucadas. há de chegar o tempo e a hora e a vez do esquecimento. dias após, lembrarei do nosso convívio cheio das verdades mais verdadeiras.

          vinho, vinho, no meu desejo você tem a força de uma pessoa.

          beber essa tua taça é como beber o teu orgasmo.

 

Leia os capítulos 206, 207, 208, 209, 210, 211 e 212.

 

Alma desdobrada, cap. 202, 203 e 204.

Alma desdobrada, capítulos 202, 203 e 204.

 

202.

          de todos os fatos que me aconteceram, eis então o mais mortalmente inesquecível; minha súbita paixão por aquele menino do pedro segundo.

          algumas vezes, um acontecimento vem a ser tão fulgurante que empalidece o que está ao seu redor. outras vezes, dá-se que o acontecimento não venha a ter assim tanto brilho, mas seja capaz de provocar mudanças ou novas constatações; estes acontecimentos se tornam coisas do sempre.

          se penso em meus primeiros amores, se penso nessas minhas todas únicas paixões e penso a seguir naquilo que senti por nilton (esse, o nome dele), o adolescente de olhos verdes e gestos femininos, concluo fácil que a paixão por esse menino foi frágil, quebradiça, passageira e menor do que tudo que veio em seguida. mas que grandezas e que terrores e que abismos e que serpentes se escondiam atrás daquela pequena paixão passageira e menor?

          eu amei nely, depois rejane, depois as meninas gêmeas não gêmeas no meu segundo ginasial. sabia o que era isto de amar. sabia o que era isto que pensava ser amar. se fosse escrever sobre o amor, repetiria coisas já escritas: que sofria e era feliz ao mesmo tempo; que ansiava por uma presença doce; que não se desligava o coração de um bater convulso e mais desritmado; que meu mundo se modificava e assim modificado adquiria um significado de crescimento, força e conquista. era isto o que eu sentia. as coisas iam e vinham e cada nova paixão era mais violenta que a anterior.

          dizer daqueles amores, violentos, não seria forçar a expressão, fazer exercícios de retórica; aquela era a violência máxima a que eu resistiria. sentir mais, seria fragmentar-me.

          então, numa tarde, eu distraído, quão distraído estava!, fui apanhado de surpresa. então, numa tarde, me sinto diferente, assim como que grávido de uma nova e forte emoção. um pequeno júbilo ameaçou esclarecer-se dentro de mim e transformar-se em grande júbilo.

          eu lembrava daqueles olhos e os achava belos e amigos; queria conhecê-lo melhor; ele me olhava de longe e piscava lentamente, como uma sereia sedutora. eu sentia crescer dentro de mim o fogo, o braseiro, a luz do que sabia ser um novo amor. eu imaginava poder aproximar-me dele e me transformar no seu novo colega. meu coração estava apossado de líricas canções impregnadas em loucura. eu pensava que tinha alguém a satisfazer em mim a ânsia de um outro, dentro do meu viver.

          era feliz porque amava. pensava nele o tempo inteiro. a quem amo?, perguntei-me. que duas constatações tão diferentes são essas, que ameaçam juntar-se? eu amo! mas ele não é uma menina!

          estava aflito. como um peixe preso no anzol!

          houve um dia uma pena de morte que consistia em amarrar os braços do condenado num cavalo e as pernas em outro cavalo. os cavalos eram chicoteados e a pessoa era partida ao meio.

          era como esse condenado, arrebentado em duas direções opostas, que eu me sentia.

          e chegou o momento em que a verdade se mostrou clara e condenatória: eu amava um menino.

          e um choro aterrador explodiu dentro do meu coração.

          e eu fui obrigado a chorá-lo.

 

Leia os capítulos 203 e 204.

 

Alma desdobrada, cap. 198, 199, 200 e 201.

Alma desdobrada, capítulos 198, 199, 200 e 201.

 

198.

          meu pai, meu pai!

          e agora?

          teríamos ainda contas a ajustar?

          nada te devo, nada te cobro.

          o amor que descobri em você pende agora invisível no meu peito, como uma medalha adotada e estimada.

          te descobri gente, e isto teve que ser depois de tanto tempo.

          não tive oportunidade de te dar o abraço final.

          durante muitos anos você era um velho que eu esquecia na casa dos outros irmãos e eu pensava que não o amo e não me faz a mínima diferença que eu o veja ou não.

          agora, porém, eu te sinto como elo de alguma corrente que me impulsiona ao meu futuro e me segura às origens do homem.

          quando penso em você, agora, penso que você me é o que sou para leonardo e bruno:

          minha causa e ao mesmo tempo o vazio inútil que existiu antes de mim.

          para mim, nada importa no antes e no depois de mim: mas para o universo, sim. posso inverter essa afirmação.

          meu pai, meu pai.

          apareça e me olhe ainda pela última vez. com o seu casaco enorme, as calças acima da cintura, o eterno chapéu e o olhar manso e humilde, que me fala de apagadas e distantes constelações.

          pare um pouco assim, não se vá ainda.

          fale com sua voz rouca e frágil, nem que seja em italiano. sim, pai, fale comigo em italiano. diga arrivederci, sorrindo e saia do trem. mas antes olhe para trás que quero ter certeza de que é você.

          eis o espantoso e sobrenatural fato que me aconteceu em 1980, na itália:

          é noite, estou num trem que vai de lucca a pisa. é um vagão antiquíssimo, antiquíssimo. quando, nas estações, as portas se abrem, entra uma fumaça densa e azulada. o trem caminha lento e as janelas estão transpirando suores opacos. nada se vê lá fora. todo o universo se concentrou nesse velho vagão de madeira. eu me encolho de frio e cansaço, a alma perdida na solidão mais agradável. uma voz de velho, que fala sem parar, me chama a atenção. olho pra frente e vejo, de costas, um velho parecido com meu pai. o pescoço fino, os cabelos branquinhos e um chapéu. então, ele se levanta, fala mais alto, e fala com a voz do meu pai. senta-se mais próximo de mim e é como ver meu pai falando em italiano. o mesmo rosto, a mesma roupa, a mesma voz! gesticula feliz, conta histórias, sorri e olha para todos os lados. o trem pára, ele se levanta, tendo aos ombros o casacão de meu pai. olha para mim, eu sorrio apavorado, ele me diz arrivederci e se vai, desaparecendo rápido no vapor azul.

          estou feliz, mas aterrado.

          lembro agora dos olhos do meu pai. não mais humildes, mas terríveis olhos de falcão por sobre o nariz adunco. foi assim que o velho italiano me olhou, ainda que sorrisse.

          meu pai italiano me olhou pela última vez, arrivederci, arrivederci, eu respondi trêmulo e aterrorizado pela semelhança total. ele desapareceu no azul.

          arrivederci, meu pai. adeus. requiescat, requiescat.

          in pace.

 

199.

meu pai, meu pai,

onde é que você esteve?

e que nuvem escura é essa

que esconde a antiga luz do seu olhar.

 

filho, venho de longe,

de estranhas terras onde se sofre e se chora!

mas,

para não fazer estremecer teu coração,

direi apenas que visitei

a terra dos homens.

 

meu pai, meu pai,

onde é que você esteve?

e que carga de desastre é essa

que pesa nos teus ombros?

 

filho, venho de longe,

de estranhas terras onde não se sabe quem se é,

nem por que se chora!

mas,

para não fazer estremecer o teu abraço,

direi apenas que visitei

a terra dos homens.

 

meu pai, meu pai,

onde é que você esteve?

e que máscara é essa que esconde aquele que é meu pai,

a ponto de ficar difícil de te reconhecer,

o que faço tão somente com o coração cheio de dor.

 

filho, chego de longe,

de estranhas terras que não se entende.

aprendi que é viagem sem volta.

é toda uma vida em que só se aprende a viver.

e aprendi que não te posso ensinar esse aprender.

e se aperto essa vida na mão

e espremo com coragem,

o que fica me é tanto e tanto,

que ainda queima meu rosto

e ainda brilha e estala

cheio de vida.

 

e aprendi que certas perguntas

não têm respostas!

e certas respostas

não matam a sede!

e certas sedes

são como o poço sem fundo!

e aprendi coisas mais

que já esqueci.

esqueci-as no caminho que me trouxe até você.

 

mas,

para não fazer estremecer

tua alminha faminta,

não direi que foi essa a herança que recebi.

nem que é esse o mesmo legado que te entrego;

direi apenas que visitei

a terra dos homens.

 

meu pai, meu pai,

você me esconde coisas,

querendo me proteger.

 

mas agora já é tarde!

 

Atualizado em ( 25 - 08 - 2015 12:29 )

Leia os capítulos 200 e 201

 
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