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Descrição

Este saite está em constante construção; contém: Projeto Gil Vicente, 44 peças, com resumos, comentários e canções que fiz para as peças (Português, Esperanto); Dante Alighieri - Vita Nova, canções que fiz para os 31 poemas do livro Vita Nova (italiano); Traduções e Adaptações (inclui O Corvo, de Poe), Conta outra Vó (histórias infantis, Português, Esperanto); Peças para fantoches; Trilogia Cética; Canções Infantis Brasileiras em Esperanto. A Espécie Humana (romance), O Dia sem Nome (romance), Apolo e Jacinto (romance). A intenção é alimentá-lo semanalmente./ Ĉi paĝo konstante ricevas ion; Ĝis nun: Projekto Gil Vicente (Portugale, Esperante) kun resumoj, komentarioj kaj kanzonoj, kiujn mi verkis por la teatraĵoj; Dante Alighieri, Vita Nova, kanzonoj por la 31 poemoj de la libro Vita Nova (itale); Tradukaĵoj kaj adaptaĵoj (Portugale); Teatraĵoj por pupteatro (Portugale); Rakontu alian anjo (infanaj rakontoj, Portugale/Esperanto); Skeptika Trilogio (Portugale/Esperanto); Brazilaj Infanaj Kanzonoj. La Homa Specio (romano, Portugale, Esperante), La Tago sen Nomo (romano, Portugale, Esperante), Apolono kaj Hiakinto (romano, Portugale, Esperante) Mi intencas aldoni ion ĉiusemajne.

gil vicente 10. auto da sibila cassandra

Gil Vicente. AUTO DA SIBILA CASSANDRA (1511)

                                 cassandra

Resumo: Cassandra é cortejada pelo pastor Salomão mas não quer se casar. Ela fala sobre o lado desagradável do casamento: as mulheres são cativas, os homens são ciumentos ou conquistadores; um purgatório. Salomão traz três camponesas, Eritrea, Ciméria e Peresica (Pérsica), tias da moça, para que a convençam. A seguir vêm os tios Esaias, Moyses e Abrahão. Moises fala que o casamento é um sacramento e as camponesas, que têm os nomes das Sibilas, apresentam as profecias sobre a Virgem. Cassandra diz a todos que também profetizou que o Salvador nascerá de uma virgem e ela presume ser esta virgem. Abrem-se cortinas e surge o presépio. Anjos cantam uma cantiga de ninar. Cada um dos presentes dirige-se ao menino e à Virgem, em adoração. Cassandra pele perdão a Maria. Cantam um hino à Virgem e um hino bélico.


GV022. Cassandra
Dicen que me case yo;
No quiero marido, no.

Mas quiero vivir segura
Nesta sierra á mi soltura,
Que no estar en ventura
Si casaré bien ó no.
Dicen que me case yo;
No quiero marido, no.

Madre, no seré casada,
Por no ver vida cansada,
Ó quizá mal empleada
La gracia que Dios me dió.
Dicen que me case yo;
No quiero marido, no.

No será ni es nacido
Tal para ser mi marido;
Y pues que tengo sabido
Que la flor yo me la só,
Dicen que me case yo,
No quiero marido, no.
(canta Carmen Ziege)


GV023. Salomão, Esaias, Moysés, Abrahão
Que sañosa está la niña!
Ay Dios, quien le hablaria!

En la sierra anda la niña
Su ganado á repastar;
Hermosa como las flores,
Sañosa como la mar.
Sañosa como la mar
Está la niña;
Ay Dios, quien le hablaria!
(cantam Geovani Dallagrana, Gerson Marchiori, Graciano Santos e Ruben Ferreira Jr.)


GV024. Quatro Anjos
Ro ro ro
Nuestro Dios y Redentor,
No lloreis, que dais dolor
Á la vírgen que os parió.
Ro ro ro.

Niño hijo de dios Padre,
Padre de todalas cosas,
Cesen las lágrimas vuesas,
No llorará vuestra madre,
Pues sin dolor os parió.
Ro, ro, ro,
No le deis vos pena, no.

Ora, niño, ro ro ro.
Nuestro Dios y Redentor,
No lloreis, que dais dolor
Á la vírgen que os parió.
Ro ro ro.
(canta Jorge Teles)


GV025. Todos
Muy graciosa es la doncella:
Como es bella y hermosa!

Digas tú, el marinero,
Que en las naves vivías,
Si la nave ó la vela ó la estrella
Es tan bella.

Digas tú, el caballero,
Que las armas vestías,
Si el caballo ó las armas ó la guerra
Es tan bella.

Digas tú, el pastorcico,
Que el ganadico guardas,
Si el ganado ó las valles ó la sierra
Es tan bella.
(canta Jorge Teles)


GV026. Todos                    
Á la guerra,
Caballeros esforzados;
Pues los ángeles sagrados
Á socorro son en tierra.
Á la guerra.

Con armas resplandecientes
Vienen del cielo volando,
Dios y hombre apelidando
En socorro de las gentes,
Á la guerra,

Caballeros esmerados;
Pues los ángeles sagrados
Á socorro son en tierra
Á la guerra.
(cantam Geovani Dallagrana, Gerson Marchiori e Graciano Santos)

Atualizado em ( 07 - 11 - 2013 15:42 )

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Os músicos de Bremen

OS MÚSICOS DE BREMEN

Nota: Esta pecinha se baseia no famoso conto recolhido pelos irmãos Grimm (1785/1863 e 1786/1859). Foi apresentada com fantoches em outubro de 1976. No mesmo ano Bardotti e Enriquez tinham feito uma versão italiana para teatro profissional, I Musicanti. Em 1977 Chico Buarque traduziu I Musicanti para o português, com adaptações: Os Saltimbancos. Coincidências! Para os curiosos, fiz há dias uma tradução fiel do original, que apresento ao final do meu texto.

BURRO:
Ai, que vida triste.
Tô ficando velho
cansado e doente.
Meu pelo caiu,
não tenho mais dente.
Estou tão fraquinho
que as cargas que levo
caem no caminho.
Estou chateado.
Agora que estou
fraco, acabado,
meu patrão me trata
como um enjeitado.
Não me dá comida,
não me dá abrigo.
Danada de vida!
Pensei cá comigo:
Morrendo de fome
não quero ficar!
De manhã bem cedo,
pra outro lugar
eu vou me mandar.
Vou fugir daqui!
Quero viajar.
Quando eu era novo
bem forte e matreiro
aprendi a tocar
tambor e pandeiro.
Pois vou para Bremen.
Lá, numa orquestra,
eu quero tocar.
É nisto que dá
a gente ficar
sem se aposentar.
Muito trabalhei
mas INPS
eu nunca paguei.
Eu fui reclamar
no Fundo Rural
mas lá me pediram
tanto documento!
Nem mesmo animal,
nem mesmo um jumento
pra aguentar aquilo.
Pois vou para Bremen.
Lá numa orquestra
eu quero tocar.
Está resolvido.
Amanhã bem cedo
eu vou me arrancar!
(sai)

Atualizado em ( 19 - 10 - 2013 15:41 )

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canção 01. canção do mosquito

canções do protesto inútil

 

Introdução:

Começo a postar, a partir de hoje, as letras de canções que fiz de 1976 a 1983.

Reuni-as há uns anos num trabalho com o título acima, dividindo-as em três blocos:

1. Houve ontem uma ditadura, a ditadura da burrice. Neste bloco, incluo as canções que falam de censura, tortura, medo; os anos de chumbo da ditadura militar.

2. Veio, a seguir, outro tipo de ditadura, a ditadura da imoralidade, que, todavia, mantém a burrice anterior. Neste bloco incluo canções que falam da cidadania brasileira, da perplexidade do eleitor e contribuinte diante do poder aparentemente democrático. Ao longo dos anos vou substituindo os nomes dos bandidos de plantão.

3. Mudemos, porém, de assunto, que o estômago é fraco. Aqui, entram as canções de temas variados.

 Para facilitar, vou simplificar os títulos, porque quero apresentá-las aleatoriamente: A ditadura da burrice, A ditadura da imoralidade, Canções diversas.

 

A ditadura da burrice 01.Canção do Mosquito do Cabra Cabrez

 

Você vem me dizer

que eu sou uma coisinha à toa;

mas sei mostrar

com quantos paus se faz uma canoa.

 

Você é Polifemo,

o grande poltrão das fanfarrices.

Mas eu serei o manhoso e astuto Ulisses.

 

Você se diz rei,

e não admite nenhum ultraje.

Mas eu serei o debochado Bocage.

                                                                           

Você é um Golias,

querendo tomar tudo pra si.

Mas eu serei o pequenino Davi.

 

Você é muito forte,

e contra você ninguém se atreve.

Mas eu serei como uma bolinha de neve.

 

Você é o Gigante,

e com você ninguém se mete.

Mas eu serei o alfaiate Mata-Sete.

 

Você é um grandalhão

dos que fazem da gente picolé.

Mas eu serei um espinho no seu pé.

 

Você, que é o Cabra Cabrez

e pensa que o seu poder é infinito.

Olhe, eu estou aqui. Eu sou o Mosquito.

Curitiba, 11.10.1977  

Atualizado em ( 01 - 02 - 2014 11:26 )

 

rakontu alian anjo 04. la nazo de lia patrino

 La nazo de lia patrino

  desegnis Ricardo Garanhani                    la nazo

Noto: Kiel terorisma estas ĉi rakonteto. Mia avino trankvile ĝin rakontis kaj rerakontis. Ĝi apartenas al tiu grupo de malnoval moralaĵoj laŭ kiuj la infanoj estis edukataj. Edukado bazita sur timo de bato. Ŝajne tio neniam bone funkciis, se ne por daŭrigi malĝojan sado-mazoĥisman heredon. Aliflanke, tiu patrino kiu ne sciis eduki la filon estas ekzemplo de moderneca edukado. Libero sen ia brido. Kia malfacila situacio! Alia observo: mi neniam trovis ĉi tiun malĝojan rakonton en miaj multaj kaj multaj legaĵoj.          

          Estis foje malriĉa vidvino. Ŝi havis nur unu filon kaj por vivteni lin ŝi laboradis tage kaj nokte. Ŝi estis tre bonkora kaj neniam riproĉis lin kaj faris ĉion, kion li petis.

          Li kreskadis kun malbonaj kondutoj. Post kelka tempo li ne plu respektis ŝin. Li forestis la lecionojn kaj iris al la kampo por aresti birdojn en kaptilo. Ŝi petis ke li liveru la lavitan tolaĵon kaj li forlasis la tolaĵon survoje kaj iris al la rivero por nude naĝi. Vespere ŝi bezonis ŝtipetojn por grandigi la fajron kaj varmigi la domon sed li forrestadis ĝis malfrue babilante kun aliaj nenifarantoj kaj finiĝis la kandelo kaj finiĝis la keroseno kaj meze de la mallumo la virino ekploradis.

          La najbarinoj paroladis al ŝi: - Necesas fari ion kontraŭ tiu knabo. Oni rektigas la kukumon ekde kiam ĝi grandetas. Tiu, kiu semas venton, rikoltas tempeston, li laborigos vin!

          Sed se unu el ili diris:

          Ha! Malrekta arbo, jam malrekta de burĝono!,

          ŝi konsoliĝis kaj konsentis.

          Neniam ŝi kuraĝis rikolti cidonian vergon, kiel ĉiuj faris, por bati lin. Vipilon ŝi ne havis. Neniam ŝi kurbiĝis por preni la pantoflon por pantoflobato. Nek la manon, ŝi ne levis por vangofrapi la fileton.

          Kaj la fileto amikiĝis al kelkaj petolemuloj. Ili ekpetolis. Kiam maljunulo skoldis ilin, ili ridis kaj sakris per maldecaj vortoj. Kiam maljunulino admonis ilin, ili ĵetis ŝtonojn sur ŝian kokinejon. Kiam viro persekutis ilin, je la posta tago ili vundis lian bovon. Kiam virino antipatiis, ili malpurigis la dolĉaĵon kiun ŝi preparadis en kaldrono, en la korto.

          Tiel kreskis li kaj la patrino, dolorplena, sciis nur plori. Tage kaj nokte ŝi ploradis kaj ne sciis kion fari.

          Okazis do ke gvardistoj frapis ĉe ŝia pordo. Li ne ĉeestis enhejme. La gvardisto diris ke li vundis maljunulon surstrate, per poŝtranĉilo, kaj devus esti arestita. La najbarinoj alvenis, unu preparis glason kun akvo kaj sukero. Vespere oni avertis ŝin ke la filo foriris el la urbo.

          Jen la okazaĵo: ŝia filo per poŝtranĉilo vundis maljunulon kaj timante lian morton li fuĝis en la arbaron. Li spertis malsaton kaj malvarmon kaj komencis ŝteli el la kamparanoj. Li ekopiniis ke ŝtelo estas pli facila kaj plibona ol laboro. Li iĝis ŝtelisto. Ĉiam kaj ĉiam pli aŭdaca. Pasis la tempo kaj li iĝis la plej konata kaj la plej timata. Li ankaŭ murdis homojn kaj de nun li estis ŝtelisto kaj murdisto. La gvardistoj timadis lin pro lia malbona famo.

          Tiel li semis en la regiono teruron kaj morton. La reĝo ordonis ke oni arestu lin. Neniu sukcesis. Oni sciigis ke li ĉefis teruran bandon. La reĝo anoncis premion por lia kapo. Mil orajn monerojn, se oni arestos lin mortinta. Kaj du mil, se vivanta.

Atualizado em ( 01 - 11 - 2013 07:25 )

legu pli

 

gil vicente 09. auto da Fé

Gil Vicente. AUTO DA FÉ (1510)

                        benito

Resumo: Dois pastores entram numa capela e ficam maravilhados com os bonitos objetos, que nunca tinham visto. Há pessoas da corte, com roupas festivas. Tudo que os pastores falam é engraçado. Tentam adivinhar o que é cada objeto e para que serve. Surge a Fé, segundo eles, vestida como uma moura. A Fé explica: é noite de natal. E esclarece sobre a natividade.

GV021. Benito e Brás.

No no no no no no

No no no,

Que no quiero estar en casa;

No me pagan mi soldada,

No no no, que no que no.

No me pagan mi soldada,

No tengo sayo ni saya

No no no, que no que no.

(canta João Batista Carneiro)

Atualizado em ( 07 - 11 - 2013 15:40 )

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