conta outra vó 09.o ladrão ladino

Nota: Este interessantíssimo conto amoral que minha avó contou, certamente junta pedaços de diversas histórias. As três primeiras peripécias parecem sair das aventuras de um Pedro Malasartes ou um Till Eulenspiegel. A última aventura, a do palácio, é bem mais intrigante, com uma intromissão de uma feiticeira negra, provavelmente uma interpolação feita no Brasil. Esta historinha foi a verdadeira causa de eu ter resolvido anotar os contos. A última parte eu nunca tinha lido em lugar nenhum e achava que seria uma perda não fazer o registro. Em 2008 tive uma gratíssima surpresa, ao ler um livro importantíssimo para a História da Humanidade e encontrando a versão que, com toda certeza, é a original.
Como o conto é meio longo, dividi-o em três partes. Ao final vou apresentar, como quarta parte, uma tradução do texto antigo. Um pouquinho de suspense vai ser bom.
Era uma vez um homem que tinha três filhos e algumas filhas.
Aí um dia ele chamou os três filhos e falou:
- Meus filhos, estou ficando velho, não somos ricos e vocês estão em idade de trabalhar. Cada um vai escolher um oficio e vou mandá-los pelo mundo e vocês voltarão quando souberem trabalhar.
O mais velho falou:
- Meu pai, eu quero ser alfaiate.
O velho falou:
- Então, você vai seguir por esse caminho e no fim do caminho tem uma casa onde mora um alfaiate e ele vai te ensinar.
O filho pegou suas coisas, a mão fez uma matutagem e enrolou num pano. Ele foi embora.
O segundo filho falou:
- Meu pai, eu quero ser padre.
Aí o velho falou:
- Então, você vai levar um cabrito pro padre e vai dizer que eu mandei você até lá, pra aprender a rezar missa e batizar e crismar e confessar.
O filho pegou suas coisas, a mãe fez uma matutagem e enrolou num pano. Ele foi embora, levando também o cabrito.
Só sobrou o terceiro filho e ele falou:
- Meu pai, eu quero ser ladrão.
Atualizado em ( 11 - 07 - 2010 12:06 )
canção 19.pequeno peã ao panteão dos heróis
A ditadura da burrice 09: PEQUENO PEÃ AO PANTEÃO DOS HERÓIS
(Para Kennedy) Um féretro brilhante. Flores e coroas. Na catedral gigante, Missas, prantos, loas. Teus mortos não te seguem, Só o abutre odiado, De bico encharcado. E nas florestas destruídas do Vietnã, Silêncio. (Para Salazar) Nobres e reis distantes Vão aos funerais. Viúvas arquejantes Desfilam seus ais. Teus mortos não te seguem, Só o abutre de aço De bico devasso. E sobre o chão pisoteado de Portugal, Silêncio. (Para Franco) Sobre o corpo assassino Choram mil donzelas. Ao cortejo divino Abrem-se janelas. Teus mortos não te seguem, Só o abutre velho De bico vermelho. E sobre as covas perdidas da Espanha, Silêncio. (Para Bush) Eis a campa erigida! Te aguarda, tirano. Pra engolir tua vida, Teu fel e teu dano. E seguirá teu corpo O abutre empestiado, De bico ensinado. E nos céus envilecidos do mundo, Silêncio. Curitiba, 29.11.1977 (o último homenageado foi incluido mais tarde, claro; é ele um produto típico da democrática e honestíssima eleição americana). Atualizado em ( 01 - 05 - 2010 11:39 ) gil vicente 17.auto da barca do purgatório
Trilogia das Barcas
2.AUTO DA BARCA DO PURGATÓRIO (1518) ![]() Resumo: Três Anjos cantam um hino em louvor da barca do Paraíso. Um anjo e um Diabo anunciam as suas viagens. Todavia a barca do Diabo não pode se mover. Explica o Anjo: "E o batel dos danados, porque nasceu hoje Cristo, está com os remos quebrados, em seco. Oh descuidados, cuidai nisto". A barca do inferno não pode, pois, se mover na noite de natal. Aos poucos vão se chegando os que morreram, na ordem: um lavrador, uma regateira (vendedora de feira), um pastor, uma pastora, um menino e um taful (jogador profissional, geralmente de cartas). Os mortos desta feita são trabalhadores que cometeram apenas pecadilhos. A vendedora de rua menciona o Brasil. Impedidos que são de entrar na barca da Glória, devem permanecer na praia purgatória até merecerem o Paraíso. O menino embarca com os Anjos e o Diabo leva apenas o Taful, não porque tivesse roubado nos jogos, mas porque renegara em vida os mistérios divinos. Este tenta se defender: "Deus não quis hoje nascer pra remir os pecadores? Anjo: "E pois, que queres dizer? Que só com o seu padecer se salvam os renegadores?" GV039. Três Anjos Remando vão remadores Barca de grande alegria; O patrão que a guiava, Filho de Deos se dizia. Anjos erão os remeiros, Que remavão á porfia; Estandarte d'esperança, Oh quão bem que parecia! O mastro da fortaleza Como cristal reluzia; A vela com fé cozida Todo o mundo esclarecia: A ribeira mui serena, Que nenhum vento bolia. (cantam Geovani Dallagrana, Gerson Marchiori, Graciano Santos e Rubem Ferreira Jr.) Atualizado em ( 09 - 05 - 2010 11:10 ) canção 18. ai de nós
A ditadura da imoralidade 05: AI DE NÓS!
"O entreguismo não se dá apenas com a entrega de estatais, a preço de banana. Também se dá com a doação da poupança de toda uma nação às Centrais Internacionais de Agiotagem". (Do livro: Elogio da Obscenidade, de Erasmus de Roter-dão). Nota: esta canção é de outubro de 1977, mas, a cada temporada, sofre correção política e é atualizada; infelizmente há sempre uma canalha de plantão, para receber a carga triste dessa homenagem invertida; quanto ao partido citado, poderia ser qualquer outro; coloco o PT porque foi nele que votei a vida inteira, desde a ditadura, até ficar provado que minha confiança era ingenuidade e ambas estavam sendo traídas. Assim como está, não dá. Do jeito que vai, a casa cai. O nosso imposto? - Desgosto! A grana moleca? - Na cueca! A nossa justiça? - Postiça! Brasília sapeca? - Defeca! E o congresso sofista? - Otimista! E a Mídia escapista? - Otimista! E o ex-sindicalista? - Otimista! E o PT que camufla, protege, e esconde e mantém vigarista? - Otimista! Assim como está, não dá. Do jeito que vai, a casa cai. A nossa saúde? Ataúde! O Banco Central? - Chacal! E a malversação? Sei não! Qualquer estatal? - Baal! E o ministro trocista? - Otimista! A moça terrorista? - Otimista! E o grande entreguista? - Otimista! E o PT que camufla, protege, e esconde e mantém vigarista? - Otimista! Assim como está, não dá. Do jeito que vai, a casa cai. Os aposentados? - Coitados! E o banco, inocente? - Contente! Os bons deputados? - Safados! Mas, o Presidente? - Ausente! E o partido casuísta? - Otimista. O povão comodista? - Otimista. E o rei absolutista? - Otimista. E o PT que camufla, protege, e esconde e mantém vigarista? - Otimista! Curitiba, outubro.1977 Atualizado em ( 25 - 04 - 2010 22:01 ) brazilaj infanaj kanzonoj 03. mia griza katinetoMIA GRIZA KATINETO (a gatinha parda) Mia griza katineto, Januare fuĝis ĝi. Kie estas la katino, Kiu diros, kiu diros nun al mi? Kie estas la katino, Kiu diros, kiu diros nun al mi?
Mi ne vidis la katinon, Sed miaŭon aŭdis mi. Kiu ŝtelis la katinon, Estis mava, estis mava sorĉistin'. Kiu ŝtelis la katinon, Estis mava, estis mava sorĉistin'. Kantas Ana Eduarda. Atualizado em ( 28 - 04 - 2010 05:15 ) |
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